Mulheres na Resiliência

No Dia Internacional da Mulher, o site do Porto Alegre Resiliente lembrou o esforço diário de algumas mulheres especiais para tornar a cidade um lugar ainda melhor para se viver, e dentre as mulheres destacadas, está Tânia Pires, fundadora da ONG Ciupoa.

Confira o texto abaixo:

 

Tânia Pires

crédito: Arquivo Pessoal, divulgação

“Trabalhar com os outros e para os outros é muito mais enriquecedor”

A fala resiliente da fundadora da ONG Centro de Inteligência Urbana de Porto Alegre (CIUPOA), Tania Pires, não é da boca para fora. Definitivamente.

O pensamento, hoje facilmente compartilhado em qualquer conversa pela líder de 65 anos, foi construído após décadas que envolveram angústia crescente, sempre na busca pela melhor forma para colaborar por um mundo melhor.

Dos 23 aos 50 anos, Tânia passou por diversas atividades profissionais: da produção de enxovais para noivas e bebês ao trabalho com decoração de interiores. Ao completar cinco décadas de vida, a decisão foi por mudar completamente a ação.

“Do jeito que estava fazendo até os 50, não estava valendo”.

A virada começou em 2000, ano em que iniciou o trabalho junto ao Greenpeace. Na famosa organização global de proteção ao meio ambiente, foram 10 anos de ação voluntária, nos quais participou de diversas campanhas e chegou a atuar como coordenadora Nacional de Voluntários. Em 2011, Tânia e outras nove pessoas fundaram aquela que desde então é a sua menina dos olhos: a CIUPOA.

“O entendimento do global é importante, mas sempre quis trabalhar com o local para enxergar dentro da tua rua, do teu bairro”.

Com esse olhar, a CIUPOA surgiu para ser a entidade a trabalhar a questão das mudanças climáticas com foco na cidade. E como as mudanças no clima castigam de forma mais severa os mais pobres, o local para iniciar a atuação foi escolhido a dedo: o Morro da Cruz, uma das áreas mais carentes da Capital, que sofre historicamente com a ocupação de áreas de risco.

O início não foi fácil: pelo menos um ano e meio de visitas constantes à região. Pouco a pouco para conquistar a confiança dos moradores e das lideranças comunitárias e explicar o projeto.

Com ênfase na questão ambiental, o trabalho era complexo, ainda mais pela abordagem inovadora. O foco em quatro pilares do FIB (Felicidade Interna Bruta), indicador desenvolvido no Butão, pequeno país da Ásia, em contrapartida ao capitalista PIB (Produto Interno Bruto), colocou em evidência aos moradores questões como meio ambiente, saúde, educação e economia.

Transversalidade

O principal objetivo da ONG no Morro da Cruz são os jovens até 18 anos. Por isso, os projetos da organização, que luta agora pela construção de uma sede na região, é a capacitação para o mercado de trabalho e atividades culturais. Atividades que aumentem o horizonte de crianças e adolescentes.

“Quando você ajuda o outro, aquele bem volta como um bumerangue. Você envolve uma rede, que se fortalece para o bem de todos”, avalia.

Rede mundial

O envolvimento da CIUPOA com a cidade foi essencial para, juntamente com a Prefeitura de Porto Alegre e a Universidade Federal do Rio Grande do Sul, ser uma das proponentes do Desafio Porto Alegre Resiliente.

No Projeto, Tânia esteve diretamente envolvida no debate sobre regularização fundiária, uma das áreas foco definidas para o trabalho, o que rendeu uma maior proximidade com as aspirações dos produtores rurais da cidade. Seu empenho direto resultou em compromissos da cidade com a produção agrícola sustentável, entre eles o Pacto Mundial pela Política Alimentar Urbana (Urban Food Policy Pact), acordo liderado pela Prefeitura de Milão (Itália) para fomentar a agricultura nas proximidades dos grandes centros urbanos.

Tantas ações que fizeram desaparecer aquela sensação incômoda e crescente dos primeiros cinquenta anos de vida.

“Essa é uma caminhada que vale a pena”.

 

Retirado do site Porto Alegre Resiliente, confira a matéria completa aqui: 
http://portoalegreresiliente.org/conheca-a-historia-de-mulheres-que-lutam-para-fortalecer-a-resiliencia-de-porto-alegre/

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